17 de outubro de 2009

Vampiros, uma história além da ficção!

Pensemos um pouco da mitologia "real" do mundo vampiro, ele é muito mais do que vemos nos filmes e livros que tanto abundam na mídia atualmente, ele é um ser histórico, e mais do nunca imortal.

 



Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a ignomínia, para a reprovação eterna.

  

Em grande parte das lendas e crenças o vampiro é uma criatura da noite, que vive uma não-vida através da absorção da vitalidade dos vivos. 

Ele é um grande paradoxo, pois caminha entre dois mundos, o da vida e o da morte. Se um dia ele foi homem agora ele se assemelha a um deus, ou melhor, antideus. Sua antivida é pautada pela violência e sede de sangue, pela luxúria, paixão e terror. Em um glorioso limbo ele vive sua constante maldição. 

As lendas deste ser são cosmopolitas, quase todas as culturas possuem uma criatura de características vampirícas. 

 

Origem da Palavra

 

Não se sabe qual a verdadeira origem da palavra vampiro, dentre muitas explicações uma é que o termo "vampir" (muito usado na Rússia e terras eslavas) tenha derivado de "wempti", beber. 

Também é possível que o termo tenha se derivado da linguagem Magyar (Húngara).

A palavra inglesa vampire (ou vampyre) foi relata pela primeira vez em 1700. Sua origem também é desconhecida, mas é provável que a raiz venha do turco "uber" que significa "bruxa". 

Essa palavra passou por uma transformação em tons eslavos, e soou como "upior" ou "upyr", esultando em "vampyre", "vampir" e "vampire".

Também há o termo germânico "Blutsaeuger", "sanguessuga".

Outro termo conhecido é "Nosferatu", que provavelmente tenha surgido no Leste Europeu se popularizando por meio da literatura e do cinema. Segundo teorias modernas, o termo na verdade não existe como palavra eslava, mas como um erro ou alteração da palavra romana "nesuferit", que vem do latim, que significa "não sofrer" ou mesmo "intolerável". Em 1885, Emily  Laszowska Gerard em seu conto chamado "Superstições da Transylvania" usou "nosferatu" ao invés de "nesuferit". Podendo o termo "nosferatu" ser uma variante de "nesuferit".

O termo também pode ter relações com a palavra romena "necuratul", que significa "o impuro".



Vampirismo

 

É incrível observar os fatores que causam o vampirismo, ainda mais quando o comparamos com as várias culturas do mundo e observamos a semelhança.

Existe uma gama de motivos que podem levar ao vampirismo, além das vítimas do vampiro, o primeiro que pode ser citado é o praticante de magia, em algumas culturas apenas o praticante de magia negra, pois este tipo de arte, além de requerer força de vontade, possui em seu âmago o gosto da morte. 

Corpos animados por demônios e outras entidades são compelidos ao vampirismo. O sangue é um veículo muito poderoso, em biologia é ele que carreia para todo o corpo os nutrientes de que cada ínfima parte necessita, é natural que tal tecido contendo tanta energia seja o que mantém tais criaturas vivas.

Outro fator de vampirismo é problemas de sepultamento, ou questões que o morto não resolveu em vida, ou uma morte não natural, e até mesmo a presença de um espelho junto ao morto (acredita-se que o espelho criaria um duplo).

Animais que tenham pulado a sepultura, arranhado o morto, enfim que entrem em contato com o morto pode trazê-lo a vida. As explicações para tal crença são inúmeras, segundo os chineses a alma elementar do animal era transmitida ao P’o do morto, ou seja, a natureza predatória do animal (freqüentemente um gato) passava ao morto.

Pessoas excomungadas ou que cometeram grandes pecados eram outros fortes candidatos a se tornarem vampiros após a morte. Em algumas culturas, principalmente as eslovenas um homem que tenha sido lobisomem em vida, quando morto irá se tornar um vampiro. 

Segundo Jean Paul Bourre o vampirismo: “... se trata de uma via tenebrosa, de um culto à noite cuja divindade central seria o não morto, visto que o vampiro cultiva sua personalidade demoníaca. Ele ama o seu próprio corpo e tenta, por todos os meios mágicos, evitar sua desintegração.”

Para Bourre o vampirismo é uma doença da alma, sua magia negra permite que ele (o vampiro) possua uma eternidade ilusória.




Filhos da Noite

 

Em muitas crenças os vampiros podem gerar filhos, que mais tarde tornam-se caçadores são conhecidos como Dhampir, vampirovic, lampirovic. 

Tal crença de crianças geradas pela relação vampiro/humanos é conhecida entre ciganos, sérvios, croatas e muitas outras culturas. 

A criança nascida é dotada de poderes para eliminar e detectar vampiros, se tornando assim um caçador. Contudo, essa criança também poderá vir a ser vampiro.




Histórias e mais histórias


Ao longo de várias culturas observa-se a presença do vampiro, ele aparece de variadas formas, com variadas origens. Abaixo alguns destes nomes:

 Adze: vampiro da mitologia das tribos dos Eswe, África. O adze voa na forma de um vagalume, e quando capturado muda para a forma humana. Se alimenta de sangue, óleo de palmeira, água de coco e persegue crianças, preferindo as bonitas. 


Algul: vampiro da mitologia árabe, cujo nome significa "sanguessuga de cavalo". Com uma aparência feminina se banqueteia sobre bebês mortos.

 

Alp: entidade vampírica de origem germânica que atormenta as noites e os sonhos das mulheres. 

Esse vampiro é associado ao sexo masculino, pode ser um parente morto ou um demônio verdadeiro. Acredita-se que filhos de mães que usam coleira de cavalo para aliviar o parto se tornam Alp. 

O Alp poderia aparecer na forma de um gato, porco, pássaro ou outro animal, sendo associado com a imagem do lobisomem. Em suas manifestações ele costuma usar chapéu. 

O Alp bebe o sangue das crianças e dos homens pelos mamilos, mas prefere o leite das mulheres.

 

Asasabonsam: vampiro do folclore Ashanti que vive no fundo da floresta e possui forma humana. Ataca puxando suas vítimas para o alto das árvores. Suas principais vítimas são caçadores e aventureiros que adentram nas matas.

O asasabonsam apesar de sua forma humana tem dentes feitos de ferro e suas pernas possuem apêndices parecidos com ganchos. 

 

Aswang: vampiro de origem Filipina tem a forma de uma bela mulher durante o dia e de um demônio alado durante a noite. O Aswang pode levar uma vida normal durante o dia, mas durante a noite a criatura é levada para casa de suas vítimas por pássaros noturnos. 

Após saciar sua sede o Aswang fica inchado, assemelhando-se a uma mulher grávida. Se um Aswang lamber a sombra de alguém, segundo a crença essa pessoa irá morrer logo.

 

Bajang: vampiro da mitologia malaia que apresenta um aspecto de furão, para libertar-se dele é preciso o auxilio de uma curandeira. A vítima apresenta sintomas de convulsões, delírios e mais uma infinidade de problemas. 

O Bajang pode ser escravizado, atacando os inimigos de seu mestre. Ele é mantido em um tabong (uma espécie de jarra feita de bambu) que é protegido por vários encantamentos, sendo alimentado com ovos, toma a forma de seu dono quando não é bem alimentado.

 

Baital: vampiros da mitologia indiana, que se apossa do corpo de um morto para executar suas atividades vampíricas.

 

Baobhan-sith: vampiro de origem escocesa que se disfarça como uma bela virgem, e aqueles que caem nos seus encantos morrem. Costuma aparecer trajando verde ou na forma de um corvo, quando na forma humana apresenta patas de gamo que esconde em suas roupas longas.

 

Bebarlangs: vampiro de origem filipina que segundo a crença é membro de uma tribo que praticavam vampirismo psíquico, enviando seus corpos astrais e se alimentam da força vital dos indivíduos que atacam.

 

Bhutas: são vampiros da mitologia indiana que vive de fezes e intestinos encontrados em corpo decompostos, eles vivem como o Rakshasas em locais de cremação, transformando-se em corujas e morcegos. Tem uma predileção por recém-nascidos, podendo também, obsediar uma pessoa que passará a atacar outras, devorando-as. 

Um candidato a se tornar um Bhuta são pessoas que sofrem uma morte antinatural (suicídio, execução...).

 

Bramahparush: vampiro de origem indiana que consome seres humanos. Essa criatura bebe o sangue de suas vítimas através do crânio, depois come seus cérebros e terminam por enrolar os corpos de suas vítimas com seus próprios intestinos para, finalmente, realizar uma dança ritual. 

 

Bruxsa: vampira de origem portuguesa se transformando em vampira por meio de bruxaria.

Ela deixa sua casa, durante a noite na forma de um pássaro atormentando os viajantes perdidos.

Tem uma bela aparência, e durante o dia leva uma vida normal, assustando crianças à noite que, a maioria das vezes, se tornam sua principal fonte de alimentação. Acredita-se que é impossível matá-la.

 

Callicantzaros: são vampiros de origem grega. Crianças nascidas na noite de natal são candidatos a se tornar um Callicantzaros. Por conta dessa crença, muitas crianças sofreram mutilações para impedir que se tornassem vampiros. 


Chiang-shih: vampiro da mitologia chinesa de unhas longas, cabelos brancos com tons de verde e olhos vermelhos. Tinha a capacidade de voar, mas como o Vrykolaka não era capaz de atravessar a água, devendo voltar à sepultura após suas atividades.

Se transformava em animais, principalmente o lobo. Sua destruição se dava por meio do fogo.

Os chineses acreditam que possuímos duas almas: a Run, alma superior e a P'o, alma inferior.

Esta segunda corresponde ao nosso lado animal, sendo a causa do vampirismo quando por qualquer motivo ela não deixa o corpo.

 

Chordewa: bruxa vampira que muda a forma de sua alma para a de um gato, e se ele lamber os lábios de uma pessoa, ela morrerá em breve.

 

Churel: é uma vampira da mitologia indiana que morreu durante o parto ou período menstrual.

Aparenta ser uma linda donzela, sedutora que drena aqueles que se deixam seduzir por seus encantos. 

Outras vezes a Churel aparece com dentes caninos enormes, de sua boca pende uma língua negra, e sua cabeça é ornada com uma selvagem cabeleira negra. 

 

Civatateo ou Cihuatetico: vampira bruxa de origem Azteca. Era uma mulher nobre que morria durante o parto e, depois se tornava serva das divindades lunares. Suas vítimas favoritas eram as crianças, que logo morriam após o ataque fulminante de alguma doença.

Possuem as faces e as mãos alvas como giz e ossos pendurados em suas vestes.

 

El Cuero: É uma criatura vampírica que habita rios, lagos, lagoas e o mar, mas é freqüentemente encontrado em pequenas lagunas escuras, possui a forma de um grande couro bovino estendido, por isso seu nome indígena é "el Threquelhuecuvu" (thrulque = couro; huecuvu = gênio maléfico). Suga suas vítimas até deixá-las sem uma gota de sangue.

Na ponta do seu corpo tem certo tipo de garras. Poucos são os que conseguem ver sua cabeça, parece que tem tentáculos em forma de tenazes, que terminam em um par de olhos vermelhos saltados. Outros afirmam que seu rosto é terrivelmente feio. Abaixo do seu corpo, no centro, tem uma boca grande e ventosa com qual suga o sangue de suas vítimas.

Se desloca de forma suave nas águas a procura de alimento. Através de poderes consegue ipnotizar sua vitima quando vem à tona, rapidamente envolve a vítima, levando para o fundo do rio, onde então a devora. 

Para se livrar dele é preciso à presença de um mago que o chama por meio de rituais e uma vez perto da margem, o mago lança ramos de "calafate" (arbusto de duríssimos espinhos com frutos doces e azuis). O Cuero cego pelo feitiço pensa que o ramo de espinhos é uma presa e o envolve com força e assim se dilacera. 

El Cuero habita o Rio Bio-Bio, mas outras partes do Chile ele já foi avistado.


Ekimmu: espírito vampírico da Babilônia que se levantava da morte quando faminto, retornando à Terra para se saciar com sangue humano, era costume deixar sacrifícios de comidas perto de suas tumbas. 

 

Encourado: vampiro da mitologia do Nordeste Brasileiro. Criatura de aspecto humano vestido de roupas de couro preto, cheirando a sangue. Sua presença é precedida por acontecimentos omo, galinhas que param de botar ovos e não comem direito, cachorros que não saem de casa e gemem o dia todo, urubus e carcarás desaparecem voando alto para bem longe. 

O encourado costuma atacar pessoas que não freqüentam igreja, apóstatas, entrando na casa das pessoas apenas quando for convidado. 

Costuma-se sacrificar um galo vermelho ou uma galinha preta e deixar no portal de entrada para a cidade (pois ele só entra pela porta da frente), evitando assim que ele ataque. Antigamente, havia o costume de se sacrificar pessoas indesejadas, como criminosos.

 

Gayal: vampiro da mitologia indiana, que ataca parentes e os filhos de seus vizinhos. A pessoa se torna um Gayal quando ocorre um problema em seu sepultamento, sendo destruído quando lhe queimam o corpo ou quando for enterrado adequadamente. 

 

Ghouls: são entidades vampíricas da mitologia muçulmana e da Arábia que possuem formas femininas, e assombram sepulcros, atacando seres humanos e devorando-os, também escavam as tumbas para devorar as carcaças. Podem vir a manter um relacionamento marital com um homem, sem que ele se dê conta de sua verdadeira natureza.

 

Lâmia: um ser vampírico da mitologia grega, em vida foi uma bela mulher, que após a perda de seus filhos, ficou tomada pelo ódio e como vingança a raça humana, ataca crianças. Usa sua sedução para atrair rapazes e deles se alimentar. 

 

Kukudhi: é um vampiro da mitologia da Albânia, também conhecido como Kukuthi, Kukudhi, Lugat, Vorkolaka. Acredita-se que o Kukudhi se não for descoberto durante 30 anos se torna capaz de andar ao sol, levando uma vida humana. Sua destruição acontece por meio do fogo ou lobos.

 

Langsuir: vampiros da mitologia malaia que é similar à Strix. A langsuir é uma mulher que morreu de parto, ou ante a visão de seu bebê nascido morto. A lenda originou a crença de que se a mulher que morreu de parto for enterrada com ovos embaixo de suas axilas, e suas mãos fixadas com agulhas e contas em sua boca ela não se tornaria uma Langsuir.


Liahennen-shee: vampiro Elemental (muitas entidades elementais, como fadas, duendes e outros possuem a fama de serem vampiros) que fica nas proximidades da água, especialmente poços, fontes e riachos. Surge na forma de uma bela moça drenando aqueles que caem em seu encanto. O sangue de suas vítimas é colocado em um caldeirão sendo usado como revigorante na eternidade. 

 

Loogaroos: em Granada são vampiros que eram mulheres que praticavam magia, saindo durante a noite em busca de sangue, deixando seu corpo na forma de bolas de fogo.

Era evitada através do uso do arroz ou sementes, pois a Loogaroo ficava entretido a contar até o amanhecer quando tinha de retornar. Também tem o costume de atacar a criação, principalmente a de cavalos. 

 

Mahr: vampiro da mitologia sérvia que consistia na alma de alguém que retornava em busca de sangue. Podia atacar parentes ou não. O Mahr não tinha necessariamente que estar morto, podendo ser uma pessoa viva. 

Sua destruição é feita da mesma forma que a maioria dos vampiros (expondo-os a luz solar ou cravando uma estaca no coração). Na Bulgária são conhecidos por Morava e na Polônia por Mora.

 

Mauri: vampiro da mitologia Malásia que entra na casa de sua vítima e se alimenta do sangue da sua vítima, sendo na verdade um feiticeiro. Após sua morte ele pode continuar com suas atividades vampíricas. 

 

Mulo: vampiro da mitologia cigana, um morto-vivo que como, em grande parte das lendas, sai durante a noite para atacar retornando a sua sepultura ao amanhecer. É um ser etéreo, podendo assumir várias formas animais. 

As crenças ciganas mencionam o relacionamento entre o Mulo e uma amante, ainda viva, sendo tal relação tanto calma, como violenta, além da possibilidade do nascimento de uma criança, que viria a se tornar um caçador de vampiros, por possuir poderes para detectar e destruir vampiros.

 

Murony: vampiro da Valáquia que podia se transformar em gato, cão, inseto ou outras criaturas. Uma pessoa que morria de forma não natural era um forte candidato a se tornar um Murony. Em geral, mortes súbitas eram atribuídas a um Murony, desta forma para se evitar que um defunto voltasse como Murony atravessava-se o crânio do com um prego.

 

Nelapsi: vampiro da mitologia da Eslováquia, sendo um predador de gado e seres humanos, que pode trazer uma peste e dizimar populações inteiras. Algumas crenças ele tem dois corações e duas almas.

 

Obayifo: vampiro da mitologia africana, sendo um feiticeiro (a) que deixa seu corpo para sugar sangue, e as crianças são suas principais vítimas. Quando fora de seus corpos, o Obayifo se apresenta na forma de uma bola de luz. 

 

Obour: vampiro da mitologia búlgara. Um ser etéreo aparece após nove dias como um fogo fátuo, brilhando na escuridão e se tornando uma sombra projetada quando passa por uma luz. 

Age muitas vezes como um poltergeist, destruindo pertences das pessoas e cuspindo sangue.

Após quarenta dias ele adquire uma aparência humana sólida, podendo até levar uma vida normal. 

Para destruir o Obour era necessário prendê-lo em uma garrafa, atraindo-o com excremento humano ou qualquer outra iguaria de que se alimente, ou então usando ícones sagrados. Assim ele era compelido a entrar na garrafa podendo ser destruído. 

 

Penanggalan: vampira da mitologia malaia que segundo as crenças era uma mulher praticante de magia negra. Com o tempo ela passa a ter a capacidade de voar, contudo apenas partes de seu corpo executava o vôo, já que somente cabeça e intestinos saiam em busca de sangue.

Se alguém tocasse o sangue que gotejava de seus intestinos contrairia uma doença séria ou seu corpo ficaria repleto de feridas. Suas principais vítimas são mulheres no parto.

 

Pontianak: é um vampiro da mitologia malaia. Ele é um natimorto que aparece na forma de uma coruja, acompanhando sua mãe Langsuir. 

 

Rakshasas: são vampiros da mitologia indiana que habitam locais de cremação, seu líder é Ravana, de dentes pontiagudos e olhos sinistros. Eles possuem unhas longas e venenosas, sua aparência é feroz, sua cor é o azul escuro, mas podem ser verdes ou amarelos. 

Segundo as crenças eles possuem grandes tesouros, guardiões de templos e palácios. Vagam a noite a procura de sangue de crianças, especialmente as recém-nascidas, gestantes. 

São acompanhados, muitas vezes, pelas Hatu Dhanas, sacerdotisas que acompanham esses seres em seus banquetes sangrentos. 

 

Stringla: uma entidade vampírica da mitologia grega que drena sangue de crianças, durante a noite. 

 

Strix: vampiro da mitologia Romana, que acreditavam ser uma bruxa, que atacava crianças em forma de coruja. Voava durante a noite também para ter relações sexuais com homens que ao final era drenados. 

As formas de se acabar com uma Strix ou Strega era o mesmo que grande parte das tradições conhecidas, mas acredita-se que comer pedaços da Strix cura suas vítimas.

 

Tlahuelpuchi: tradição mexicana que se refere à menina que sofre sua primeira menstruação (menarca) e desenvolve um desejo profundo por sangue, transformando-se durante a noite em animal para executar seus ataques (crianças, adultos e gado).

 

Upiercza: vampiro de origem polaca, que corresponde a espectros de mortos que conservam a avidez de devorar, fazendo vítimas perto de suas tumbas. 

 

Ustrel: vampiro da mitologia da Bulgária, sendo uma criança que nasceu no sábado e morreu sem batismo. Nove dias após o enterro, o Ustrel sai de sua sepultura e ataca o gado. Quando se torna forte, não necessita voltar para a sepultura morando nos corpos dos animais (chifres do touro, úbere de uma vaca, na lã do carneiro).

Apenas os lobos eram capazes de destruir o Ustrel, onde os aldeões faziam duas grandes fogueiras em uma encruzilhada freqüentada por lobos e conduziam a manada entre as fogueiras, assim o Ustrel se lançava do seu animal hospedeiro e cai na encruzilhada. 

Assim como em outras lendas, o Ustrel podia gerar filhos, e tais crianças eram apreciadas por seus poderes sobrenaturais. 

 

Vorkolaka: é um vampiro da mitologia da Bulgária. Ele é a alma de um criminoso que assombra o local de sua morte, atacando e sugando o sangue dos que passam nas imediações de sua sepultura. Preso a terra ele não pode nem ir para o céu ou o inferno, sendo destruído por meio de cerimônias religiosas e com a construção de uma cruz no local.

 

Vrykolakas: vampiro da mitologia grega que possuía de quando estava vivo, e podia entrar em corpos de animais ou assumir as suas formas. Suas vítimas se tornavam invariavelmente um deles. 

Voraz, selvagem seus ataques são rápidos e rasgam a carne com os dentes para se banquetear com o sangue. A uma relação deste ser com a licantropia, como pode ser vista na raiz do seu nome.

Muitas vezes se comportam como poltergeist, destruindo mobília, produzindo sons e inúmeras manifestações associadas. Embora sejam criaturas noturnas, existem manifestações durante dia, sendo o Sábado o dia em que ficavam em suas tumbas. Eles também não capazes de atravessar a água e muitos suspeitos de serem Vrykolakas eram mandados para ilhas na esperanças que lá ficassem.

O s Vrykolakas também são conhecidos por Vurvukalas, Vrukolakas, e os cretenses o chamam de Kathakanas. 

Assim como na lenda do Mulo, o Vrykolaka, também era capaz de gerar filhos, principalmente com sua viúva ou mudar de cidade e constituir nova família. Para os gregos o vampirismo era herdado, crianças filhas de vampiros podiam ser vampiros ou caçadores de vampiros.





Fama e Glória moldada no sangue

“O homem transporta a obsessão do sangue através das raças e civilizações. Pode o homem morrer, desaparecer os impérios, que a humanidade – a mais que velha humanidade – não esquece a presença atemorizante do sangue, a sua presença oculta no interior do corpo, o seu mistério. Cada molécula parece dissimular uma terrível verdade: o próprio segredo do homem e do universo.” – Jean Paul Bourre

 

Como já dito o mito do vampiro é conhecido em praticamente todo o globo terrestre, quiçá outros universos e planetas, não sabemos. Mas alguns mitos atingiram uma fama particular como o caso de Lilith, Drácula... Falemos um pouco deles em separado:


Lilith

 Na cultura judaica Lilith foi a primeira mulher de Adão. Ela teria sido criada como gêmea de Adão, sendo feita do mesmo barro que ele, porém cheio de impurezas e sedimentos.

Lilith convive com Adão, mas não se subordina a ele, principalmente na hora de se relacionar sexualmente, ele exige que ela fique por baixo, mas ela não aceita.

Por conseqüência de sua constante insolência Lilith incorre na ira Deus, e foge para o Mar Vermelho onde encontra Samael. Deus envia três anjos para trazer Lilith de volta para Adão, mas como ela não retorna Deus a pune, tirando os filhos que ela teve com Samael. 

Lilith dá a luz a 100 demônios por dia que juram perseguir a humanidade, descendentes de Adão  e Eva.

Por ter sido amaldiçoada a esterilidade Lilith persegue crianças e recém-nascidos para causar-lhes a morte, além de provocar abortos, esterilidade. Também age como succubus para absorver o esperma, causando loucura, depressão e morte nas vítimas de seus ataques. 

Em uma lenda islâmica ela é a origem do djinn (gênios) seres de fogo que vivem no espaço entre os mundos. 

Lilith têm suas origens anteriores a cultura judaica, na Suméria a resplandecente "Rainha do Céu" era Lil, que designava tanto "ar" quanto "tormenta". Muitas vezes aparecia de forma ambígua, como a amante de "lugares selvagens e desabitados", associada ao aspecto obscuro da Deusa Inanna e sua irmã Ereshkigal, Rainha do Mundo Subterrâneo.

Lil também era a palavra sumero-acadiana para "tormenta de pó" ou "nuvem de pó", um termo usado para designar fantasmas cujo aspecto era justamente a de uma nuvem de pó e que supostamente se alimentava do pó da terra. Na língua semítica "liliatu" era então " a criada de um fantasma", porém prontamente se fundiu com "layil", que significa "noite", se tornando uma palavra que designava um demônio noturno.

Só há uma referência à Lilit, como coruja, no Antigo Testamento. É encontrada no meio de uma profecia de Isaías. No dia da vingança de Yahvé, quando a terra se envolverá num deserto,"e um sátiro chamará o outro; também ali repousará Lilith e nele encontrará descanso." Inanna e Isthar eram chamadas de "Divina Senhora Coruja" (Nin-nnina Kilili). Isso pode explicar de onde provêm Lilith e porque era representada como uma coruja.

Além do aspecto de coruja, Lilith também aparece como a serpente que tenta Eva.

Atualmente, com retorno de religiões ligadas a figura da Deusa Mãe, a Lilith demônio, foi substituída pela imagem do verdadeiro poder que ela sempre representou o da Liberdade, o da força em não se subjugar a nada.



Bárbara (Barbe) Cillei e Herman de Cillei

 Irmãos que viviam em incesto na Romênia do séc. XV, na ocasião de sua morte por envenenamento Bárbara grita: “Voltarei!”. 

Através de invocações a poderosas forças ocultas, o irmão pede que sua irmã ressuscite. Segundo as lendas romenas, ele obtém êxito completo e sua irmã levanta-se do túmulo e passa a visitar o castelo de Varazdin (atual Iugoslávia), onde se encontra sua sepultura após ser transportada de Graz, na alta Síria. 

Bárbara Cillei era conhecida como “a Messalina Alemã”, e foi a inspiradora da novela vampiresca do séc. XIX Carmilla, de Sheridan Le Fanu.

Em 1936, na aldeia de Kneginecc, próximo a Varazdin moças apareceram mortas de forma estranha, após exorcismo executado nas ruínas de Varazdin as manifestações cessaram. 

Herman de Cillei escreveu a Pratique de Vampirisme, deixando para gerações futuras o segredo da imortalidade.



Drácula

 Drácula, é o nome pelo qual ficou conhecido o príncipe Vlad Drakul (Drakulya), senhor da Valáquia, província dos Cárpatos de 1456 a 1462. Membro da Ordem do Dragão, confraria militar de iniciação fundada por Segismundo I da Hungria para lutar contra os turcos, deu a origem do nome de Drácula, que vem de “Drac” que siginifica dragão, símbolo de imortalidade, vitória sobre a morte e representação dos quatro elementos formadores do mundo.





O dragão possui uma simbologia muito forte, na magia chinesa as correntes de energia que atravessam o mundo são chamadas de “veias de dragão”, e para os taoístas alguém que tenha vencido a morte torna-se um imortal voador com a aparência de dragão.

O príncipe Drácula também foi conhecido por Vlad Tepes, que significa Vlad, o Empalador, referindo-se ao tratamento que ele dava aos inimigos e seu próprio povo.

Era conhecido por ser um guerreiro destemido e sanguinário, especialista em torturar, ele empregava estacas e lanças que precisavam ser afiadas, para que as perfurações não provocassem imediata agonia e antes intensificasse o sofrimento dado o tipo de chaga alargada que daí resultava. Vlad costumava almoçar em meio as suas vítimas de empalamento, chegando a usar o sangue de suas vítimas como molho para o pão.

Em Târgoviste ele empalou, na Páscoa de 1459, 500 Boyards. Em agosto de 1460, ele matou 30000 prisioneiros em Anilas. Também é conhecido por utilizar técnicas de guerra biológica, mandando pessoas que possuíam algum tipo de doença transmissível terminal para atacar os turcos e assim passar a doença. 

O castelo de Drakul em Arefu é conhecido como o castelo do terror, pois foi construído por 300 nobres romenos que atraídos por Drakul em um suntuoso banquete em Târgoviste, viram-se aprisionados e levados pelo vale Ollul. Milhares de mulheres e crianças pereceram pelo caminho, os que sobreviveram trabalharam até o fim na construção da fortaleza de Curtes de Arges.

“A história não esclarece quanto tempo levou a construção. Escravizados, acabaram por ver suas roupas cair, continuando a trabalhar nus; prosseguiram até tombar mortos pela fome, fadiga, frio e esgotamento...”

O bispo d’ Erlau em 1475 acusou Drácula de matar mais de 100 mil pessoas.

O príncipe Drácula foi morto pelos turcos numa emboscada em Bucareste, contava 45 anos, sendo enterrado em um mosteiro em Snagov sob uma laje sem inscrição. Em 1931 sua tumba foi aberta e constatou-se o sumiço de seus restos. Outras versões para sua morte contam que ele tenha sido morto por seus próprios soldados, cansados de seu reinado déspota. Outra versão diz que, na verdade, Drácula foi morto por engano, pois tinha o hábito de se disfarçar de turco e adentrar suas fileiras para matá-los, no entanto, foi confundido por seus soldados e morto. 



Erzsébet Bathory (ou Elizebeth Bathory)

 Condessa austro-hungára, casada desde os 15 anos, com Ferenc Nadasdy, morando no castelo de Csejthe, no Nordeste da Hungria. 

Seu marido era um reconhecido guerreiro denominado de “Herói Negro”, dado ao seu sadismo.

Prima de Drakul, aos 20 anos ela conhece o intendente Thorbes, que a inicia em magia negra e lhe transmite os ritos secretos da seita “Ave Negra”, que mantinha relações com a Ordem do Dragão de Segismundo, que por vezes foi acusada de práticas de magia. 

Participavam dos cultos Erzsébet, Thorbes, sua sogra, duas criadas e o mordomo Johannés Ujvary. Depois de viúva as reuniões que fazia eram freqüentadas somente por Thorbes e o Mordomo Johannès. 

As histórias sobre Erzsébet versam sempre sobre seu zelo com a beleza, e sua constante preocupação com o seu envelhecimento, uma dessas histórias conta que a condessa irritada com uma serviçal, bateu-lhe com força no rosto tirando sangue de seu nariz, espirrando em uma das mãos (algumas versões dizem no rosto) da Condessa.Após limpar a mancha, a condessa contempla o local, e percebe que ali havia adquirido um brilho translúcido. 

Depois do incidente durante 10 anos Lady Bathory ordenou que fossem degoladas uma centena de moças para banhar-se no seu sangue e assim manter sua juventude. 

A condessa, segundo crenças, bebeu sangue de mais de 650 garotas, além de canibalizar e torturar (como o congelamento de mulheres na neve de inverno perto do seu castelo, jogando água gelada nelas). Ficou conhecida como o “Tigre de Cachtice”, sendo associada frequentemente  a licantropia do que vampirismo.

Em 1610 uma das vítimas conseguiu fugir. O rei Mathias II, conhecedor do caso, encarregou o conde Thurzo de investigar o castelo de Bathory. Na sala grande da torre de mensagem, descobriu um cadáver, cujo corpo não havia uma gota de sangue, vasos cheios de sangue coagulado, e um moribundo que fora torturado. Submetido a interrogatório o mordomo Ujvary confessou ter participado de 37 assassinatos rituais. Uma tesoura era usada por Bathory para executar, e seus servos recolhiam o sangue para os banhos de juventude Bathory (que são considerados lendas).

A condessa confessou seus crimes de forma arrogante e fria. Os dois necromantes foram condenados a morte, tendo suas unhas arrancadas, língua cortada, olhos espetados e por fim foram queimados a fogo lento. 

Bathory foi decapitada, por causa de sua posição a sentença mudou para prisão perpétua a pão e água. Morreu em 1614, presa em sua torre.


A ciência do vampiro

 Como explicar as doenças que acometiam a população da Idade Média e eras anteriores? Como explicar mortes súbitas de um indivíduo claramente saudável? 

As lendas de vampiros e outros seres se originaram em mentes que viviam acossadas entre a ignorância e repressão religiosa, e a incerteza da morte por agentes invisíveis que por certo trabalhavam para as forças do mal. 

Há pouco tempo é que foram descobertos os vírus, as bactérias, eles sempre estiveram aí, mas somente há muito pouco tempo é que conseguimos contemplar suas carinhas e descobrir que seres tão pequenos podem nos matar em poucos dias. 

Fora isso também era de completo desconhecimento o processo de putrefação do corpo humano, como as unhas e os cabelos poderiam crescer se a pessoa está morta? É uma pergunta cabível para a mentalidade supersticiosa das pessoas de outrora. Não se sabia dos gases que o corpo produzia, fazendo que o defunto inchasse ou mesmo exalasse sons que só poderia fazer em vida...

 Algumas doenças, que hoje conhecemos seus processos, eram consideradas como um sintoma de que a pessoa foi atacada por um vampiro, como é o caso da Porphyria onde o corpo não produz hemoglobina suficiente. 

Anemia forte, que é caracterizada por presença de poucos eritrócitos e hemoglobina, tornando a pele do paciente pálida (mais um vampiro a espreita!). Na África, a doença hoje conhecida como anemia falciforme, onde os eritrócitos apresentam uma forma de "foice" e não a forma normal arredondada era um sinal de vampirismo.

A catalepsia que consiste na paralisia temporária e consciente, onde indivíduo então aparenta estar morto, sendo possível que várias pessoas tenham sido enterradas vivas. 

A tuberculose e a raiva também eram doenças que foram encaradas como sinal de vampirismo, em estudos recentes de ossadas de túmulos de pessoas acusadas de serem vampiros, descobriu-se que muitas sofriam na verdade de tuberculose. Assim se explica a crença de que um vampiro sempre voltava para matar seus parentes, na verdade eles morriam por que mantinham contato com o doente de tuberculose, morrendo logo depois. O sangue que muitos candidatos a vampiro expeliam pela boca, também tem suas causas explicadas pela tuberculose que causa tosse com sangramento.

A raiva que era transmitida pelo morcego, fazendo a pessoa ter hidrofobia (o vampiro que não atravessa água).



Por fim concluímos que a lenda do vampiro é variada, e como parte da cultura ela é um bem a ser mantido, por que revela a personalidade de um todo um povo, de toda uma história.

Eles mudaram, com o tempo de seres monstruosos cuspidos pelas profundas do inferno, eles se tornaram galãs sedutores que te seduzem para as delícias de um prazer mortal. 

Hoje ascendeu ao status de anti-herói, o que isso pode significar culturalmente, não sei... A de se pensar sobre o assunto!

Para mim eles são sempre os misteriosos seres que caminham pelas noites, libertos da morte, a procura de saciar sua sede de sangue... Eles estão esperando pelo fim ou por outro recomeço? 

Deixo-os então sobre a sombra da noite, pois como alguém me disse, tem coisas que só acontecem à noite... O mito do vampiro também!


Bibliografia:

Vampiros: Rituais de Sangue - Marcos Torrigo.

O Livro dos Vampiros - Jean Paul Bourre.

Temple of Vampir - ...

Um Estudo em Vermelho - ...

E sites relacionados.